Já dentro do castelo, sentia estar perto do coração do forte, pois quanto mais avançava no corredor, mais chamativas eram as portas pelas quais eu passava, tanto em questão de tamanho quanto de ornamento. Infelizmente, na sala de número , eu fui barrado por um cavalo sem olhos e que se dirigia a mim com muita eloquência.

— Nada pessoal — ele me disse —, mas você não é bem-vindo aqui.

— Mas a entrada é aberta ao público — eu insistia em lembrá-lo enquanto era encaminhado à saída e quietamente repreendido pelos outros visitantes.

— As portas nunca sussurraram seu nome — ele me respondia, sempre com a mesma precisão.

Mesmo que eu e os outros esperassem alguma resposta de mim, cedi à vergonha, como sempre faço. Pelo menos, na hora da execução, descobri que a espada do cavalo era tão cega quanto ele.

— Obrigado pela compreensão — disse o cavalo após executar minha sentença.

Fui jogado no lago e dado como morto, quando apenas havia sofrido um corte irrisório na garganta.